PITÁGORAS
E O RAGA INDIANO

PITÁGORAS

Pitágoras nascido em Samos na Grécia em 570 AC. deduziu sua filosofia
da harmonia musical. Sua concepção filosófica-científica-religiosa
parte da música. Seu pensamento profético vislumbrou nos intervalos
musicais as leis que regem o Universo. Se os números apenas bastam para
explicar
a consonância não poderia também o todo ser exprimível
como número ou proporção?
A
TETRAKTIS
Ao medir num monocórdio os comprimentos da corda relativos aos sons,
Pitágoras descobriu que os principais intervalos musicais podem ser expressos
em proporções numéricas simples entre os quatro números
inteiros:
Oitava
= 2:1
Quinta = 3:2
Quarta = 4:3
*
* *
* * *
* * * *
10 = 1 + 2 + 3 + 4
A Tetraktis da Década era considerada sagrada pelos pitagóricos
e sobre ela costumavam evocar os maios solenes de seus juramentos.
Por
aquele que deu à nossa geração a Tetraktis, que contém
a fonte e a raiz da natureza eterna.
Sem
o dez não existe coisa que esteja definida, clara e distinta. Por sua
natureza, o dez é o número fonte do conhecimento; O dez harmoniza-se
com a alma.
Filolau
O RAGA INDIANO E PITÁGORAS

Havia na antigüidade clássica um grande intercâmbio cultural
entre a Índia e a Grécia. A língua grega clássica
provém das raízes indo-européias como também as
bases da música helênica. A escrita da direita para a esquerda
grega como também o modo maior (as sete notas) são de origem indiana.
Através da Pérsia, a cultura da Índia exerceu forte influência
sobre o helenismo. Por sua vez, as tropas de Alexandre que invadiram o norte
da Índia, trouxeram em seu séquito vários artistas que
introduziram neste país a sofisticada arte da escultura grega. O eminente
hinduísta francês Alain Danielou provou categoricamente em sua
obra Shiva e Dionísio que Dionísio, a divindade grega da fertilidade
não era outro senão Shiva. Pitágoras teria iniciado-se
com os sacerdotes egípcios e com brâmanes indianos.
MÚSICA
DAS ESFERAS - GANDHARVA
A pitagórica Música das Esferas, na Índia é milenarmente
denominada Gandharva. Sem começo meio ou fim, ela ressoa continuamente
no espaço etéreo. Não é audível no plano
físico mas captada metafísicamente através do Chakra Anahata.
O
CRESCIMENTO BIOLÓGICO GNOMÔNICO INDIANO
Um dos princípios básicos do hinduísmo, é o crescimento
biológico gnomônico. Tudo no pensamento indiano é orgânico,
concebido como multiplicação celular, desde as escalas musicais
quanto a arquitetura e as sucessivas encarnações, representadas
pelos Ghats, escadarias de pedra que imergem no Ganges. O magistral estudo de
A.N. Vamanrao sobre a arte clássica indiana veio a provar que na estrutura
arquitetônica de vários templos milenares indianos podemos encontrar
os Talas, ciclos rítmicos sagrados como o Tintal, Ektal, Jhaptal etc.
TALA - TETRAKTIS
A Tetraktis é expressa na música clássica indiana através
de um ciclo rítmico sagrado (Tala) denominado Jhaptal, que compõe-se
de dez unidades percussivas, divididas em 2 - 3 / 2 - 3
JHAPTAL
DHIN
- NA / DHIN - DHIN - NA
TIN - NA / DHIN - DHIN - NA
Outras progressões rítmicas pitagóricas podem também
ser encontradas nos ciclos sagrados indianos:
TINTAL
Dezesseis
unidades percussivas divididas em 4 / 4 / 4 /4:
DHA
- DHIN - DHIN - DHA
DHA - DHIN - DHIN - DHA
DHA - TIN - TIN - TA
TA - DHIN - DHIN - DHA
RUPAK
Sete
unidades percussivas divididas em 3 / 2 / 2
TIN - TIN - NA / Dhin - NA / DHIN - NA
EKTAL
Doze
unidades percussivas divididas em 4 / 4 / 2 / 2
DHIN - DHIN - DHAGE - TRIKE / TU - NA - KAT - TA /
DHAGE - TRIKE / DHIN - NA
O RAGA E O PENTAGRAMA PITAGÓRICO
Na Magna Grécia, em Crotona (Sul da Itália) Pitágoras fundou
uma confraria iniciática onde seus princípios de ciência-arte-medicina
eram estudados e praticados. Não haviam especialistas culturais como
hoje, mas Sophós (Sábios) filósofos-artistas-médicos-cientistas-sacerdotes
(como no Renascimento). Na porta dos templos pitagóricos dispunha-se
como insígnia o pentagrama. Esta estrela de cinco pontas, em música
dá origem às escalas de cinco notas, muito poderosas pois associam-se
diretamente aos cinco elementos; Terra, Água, Fogo, Ar e Éter.
Na Índia essas seqüências sonoras pentatônicas são
entoadas com finalidades terapêuticas:
ESCALAS PENTATÔNICAS SAGRADAS
Raga Bhupali
DO
RE MI SOL LA
Raga Malkauns
DO
MIb FA LAb SIb
Raga Durga
DO
RE FA SOL LA
Raga Hamsadwani
DO
RE MIb SOL LA
Raga Shivranjani
DO
RE MIb SOL LA
FRESTA AO INFINITO
Tanto a música pitagórica como a indiana não são
temperadas. Entre as oitavas existe um pequeno intervalo denominado Fresta ao
Infinito . Esta escala não temperada relaciona-se analogicamente à
espiral logarítmica do ouvido humano. Aqui encontra-se o segredo de seu
poder e sua sonoridade orgânica e mágica. O próprio J.S.
Bach, célebre por seu Cravo bem Temperado, aconselhava o não temperamento
para suas peças para instrumentos solo.
O
TIMEU DE PLATÃO

Platão em seu célebre diálogo Timeu demonstra que a multiplicação
de 2 por 3 dá origem a todos os números do sistema de afinação
pitagórica, mediante a multiplicação das quintas 3:2. Essa
é a Música das Esferas que harmoniza a dualidade entre o princípio
masculino (ímpar) e o feminino (par). Aqui reside o caráter mágico
e poderoso da relação das quintas. O sitar indiano é afinado
nesta relação.
O sistema pitagórico pode ser utilizado não apenas na música
como também na pintura, escultura, arquitetura e outras artes. A música
pitagórica proporciona a visão da essência das coisas nas
relações numéricas. Através da essência do
pitagorismo, torna-se possível exprimir musicalmente estrutura perfeita
do Parthenon, a de um templo de Brunelleschi ou a de uma pintura de Piero della
Francesca.
O EIDOS RÍTMICO
Os números ideais são relações fixas e consistem
no modelo eterno do mundo que Platão descreve no Timeu. Tudo na matéria
não passaria de reprodução imperfeita do mundo divino das
idéias. Esse princípio também pode ser estabelecido na
relação existente entre o som que vibra no ar (ahata nad indiano)
e a Música das Esferas (anahata nad). A noção platônica
de Eidos (configurações sagradas) não apenas refere-se
ao espaço (sólidos perfeitos descritos no Timeu), mas também
ao tempo, através de configurações rítmicas perfeitas.